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No âmbito da Rede de Bibliotecas de Felgueiras, para dar cumprimento à atividade “Fórum de Escritores”, nos dias 18, 25 de março e 1 de abril, já com o ensino presencial, a professora bibliotecária Isabel Melo e o 4º ano da professora Clara Dantas, da EB de Margaride, reuniram com a escritora Raquel Patriarca, via plataforma Zoom.

Alunos e escritora estão a escrever uma história coletiva, ilustrada, que mais tarde será publicada.

Aqui fica a ilustração dos heróis da história.

1.jpg

 

 CAPÍTULO 1

O AEP BARRA XX TRAÇO 3.0

 

Até que enfim! Chegamos à Agência Espacial Portuguesa. A Teresa passou a viagem a comer gomas e agora está super enjoada. O Filipe não se calou um minuto e a Joana tirou uma tonelada de selfies! Eu? Eu, adorei a viagem, mas 6 horas é muito tempo.

Lá fora, o vaivém brilha ao sol é da última geração! Todo automático e todo incrível. A Joana gritou-me:

– Alex mexe-te! Toda a turma já entrou só faltamos nós os quatro.

Fomos a correr e entramos no vaivém. Era mesmo fixe. Cheio de tecnologia de ponta e com um holograma em tamanho real que explicava como tudo funcionava.

– Já viste? Só preciso de carregar naquele botão para descolar. Que top! – Exclamou o Filipe.

– Ganha juízo, meu. – Respondi eu.

O holograma continuava a falar:

«O AEP barra XX traço 3.0 é o vaivém mais desenvolvido de sempre, completamente automatizado e preparado para longas viagens espaciais…».

A turma já estava fora do vaivém a caminho do Centro Espacial do Alentejo.

– Bora pessoal, vamos lá – disse a Teresa, enquanto enfiava mais uns doces na boca.

Subitamente, o Filipe esticou-se para apanhar a última goma da Teresa, atirou-se à bruta e caíram os dois no painel de controlo. Ouvimos um estrondo assustador e o holograma desatou aos gritos:

Alerta! Alerta! Alerta!

Descolagem em 5… 4… 3… 2… 1…

Descolagem!

Fomos atirados para trás com a força G e antes de desmaiar vi a malta a cair. Quando acordamos já estávamos no espaço.

– Meu e agora? A minha mãe vai matar-me! Sussurrou o Filipe.

 

 

CAPÍTULO 2

GRANDE ASTRONAUTA JOARESA FILEX

 

Ninguém imagina a carga de dores de cabeça com que acordámos, todos embrulhados uns por cima dos outros. O Filipe tinha os fones enrolados nos caracóis da Joana e a Teresa tinha a última goma, já meia lambida, colada na testa. Eu, que caí por baixo, não sentia as pernas e até já duvidava se ainda lá estavam.

– Estão todos bem? – perguntei a fazer-me de mais calmo do que estava na verdade.

A Teresa disse que sim com a cabeça, mas o ar amarelado com que olhava para mim dizia o contrário.

– Olha que lindo o nosso planeta visto daqui! – disse a Joana, enquanto dava a mão à Teresa e a levava para junto da janela pequenina. A cor começou a voltar-lhe às bochechas.

– É maravilhosa a nossa casa! Daqui até parece que não tem defeitos nenhuns. Mas está a ficar tão longe…

– Não te preocupes, Teresa, – disse eu – vai correr tudo bem. Entre nós os quatro, havemos de nos safar disto.

– Deixa ver se tenho rede…

Era o Filipe, com aquela mania dele de resolver tudo com o telemóvel. Bem o espetava para o ar, mas nada. Nem um pauzinho de rede, nem um sintoma de WiFi.

– Não sejas palerma! – disse a Joana – estamos no espaço, pá! Temos de tentar descobrir para onde vamos, e se conseguimos arranjar maneira de voltar para a Terra.

Estávamos todos bastante assustados, e não era para menos. Do outro lado das janelas tudo parecia calmo, mas o nosso planeta estava cada vez mais pequeno e sabíamos que estávamos a viajar à velocidade de 11 quilómetros por segundo… lembrava-me bem de ter ouvido o holograma falar nisso.

Fomos carregando em botões e puxando alavancas, meio ao acaso, a ver o que acontecia. De repente, um ecrã iluminou-se e, ao mesmo tempo, apareceu no meio de nós a imagem holográfica de um robô ultramoderno, a falar com uma voz metalizada, como numa imitação dos androides do Star Wars.

– Saudações. Eu sou a IA ponto AEP barra XX traço 3.0. Quer dizer, a Inteligência Artificial deste vaivém. Quer dizer, o computador de bordo e o navegador. Com quem tenho o prazer de falar?

O nosso espanto era tão grande que falámos todos ao mesmo tempo.

– Joana.

– Teresa.

– Filipe.

– Alex.

– Muito bem, muito bem, grande astronauta Joaresa Filéx, estou às suas ordens. Para onde devo marcar a rota: de regresso ao planeta Terra, ou em frente rumo ao planeta Oculto?

De um momento para o outro, a ideia de voltarmos para casa perdeu metade do interesse…

– Planeta Oculto? Qual planeta Oculto?

 

CAPÍTULO 3

O PLANETA OCULTO

 

Após horas de viagem a uma velocidade absurda, de certeza superior à velocidade da luz, estávamos a chegar perto da nossa estrela, o Sol. Eu estava a ficar preocupado, a IA não tinha voltado a falar connosco desde que concordáramos com esta maluqueira…. Agora parecia que íamos direitinhos para a fornalha espacial que é o Sol. O calor era insuportável e gotas de suor e medo escorriam devagar dos nossos rostos:

-Vai correr tudo bem. - Disse a Joana- Vai correr tudo bem. -Repetiu baixinho, como que para nos convencer. Olhámos uns para os outros e juro que vi os olhos do Filipe a brilhar.

De repente ouvimos:

-Modo de navegação plasmático desativado, grande astronauta Joaresa Filéx. Iniciar plano orbital para contornar a estrela-mãe do sistema solar. -Anunciou a IA na sua voz de robô. Quer dizer, aproximação ao planeta oculto em 600 segundos.

 

-Uau, foi por um triz! Disse a Teresa.

-Mesmo, por pouco virávamos churrasco solar! – Brincou o Filipe para disfarçar o alívio que todos sentíamos.

Pouco depois, começamos a distinguir o planeta que se escondia atrás do Sol. Estava numa posição diametralmente oposta à Terra e por isso nunca podia ser observado de lá. A Teresa e a Joana colaram-se ao visor da consola e, com olhos esbugalhados, viram surgir um planeta do tamanho da terra de cor muito escura, quase preto, parece que tinha algo a protegê-lo da nossa vista e de eventuais cometas.

O holograma anunciou:

-Aterragem no planeta oculto iminente! Quer dizer, segura-te valente astronauta Joaresa Filéx.

Entramos na atmosfera escura que rapidamente se tornou num laranja luminoso. Fomos descendo velozmente e vimos que o que parecia assustador era na verdade um paraíso!

Havia rios amarelos e brilhantes, grandes montanhas azuis e milhares de pontinhos de luz que acompanhavam a nossa descida.

Quando o vaivém tocou no solo o holograma falou:

-Sucesso, sucesso, grande astronauta Joaresa Filéx.

Quer dizer chegamos. Atmosfera composta por 79% de nitrogénio, 20% de oxigénio e 1 % de dióxido de carbono. Quer dizer, é perfeitamente respirável. Autorização para sair.

A Teresa pegou no telemóvel, virou-se para nós e disse:

-Então vamos?

CAPÍTULO 4

 

 

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