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Já chegou o 4º capítulo!

CAPÍTULO 1
O AEP BARRA XX TRAÇO 3.0
Até que enfim! Chegamos à Agência Espacial Portuguesa. A Teresa passou a viagem a comer gomas e agora está super enjoada. O Filipe não se calou um minuto e a Joana tirou uma tonelada de selfies! Eu? Eu, adorei a viagem, mas 6 horas é muito tempo.
Lá fora, o vaivém brilha ao sol é da última geração! Todo automático e todo incrível. A Joana gritou-me:
– Alex mexe-te! Toda a turma já entrou só faltamos nós os quatro.
Fomos a correr e entramos no vaivém. Era mesmo fixe. Cheio de tecnologia de ponta e com um holograma em tamanho real que explicava como tudo funcionava.
– Já viste? Só preciso de carregar naquele botão para descolar. Que top! – Exclamou o Filipe.
– Ganha juízo, meu. – Respondi eu.
O holograma continuava a falar:
«OAEP barra XX traço 3.0 é o vaivém mais desenvolvido de sempre, completamente automatizado e preparado para longas viagens espaciais…».
A turma já estava fora do vaivém a caminho do Centro Espacial do Alentejo.
– Bora pessoal, vamos lá – disse a Teresa, enquanto enfiava mais uns doces na boca.
Subitamente, o Filipe esticou-se para apanhar a última goma da Teresa, atirou-se à bruta e caíram os dois no painel de controlo. Ouvimos um estrondo assustador e o holograma desatou aos gritos:
Alerta! Alerta! Alerta!
Descolagem em 5…4…3…2…1…
Descolagem!
Fomos atirados para trás com a força G e antes de desmaiar vi a malta a cair. Quando acordamos já estávamos no espaço.
– Meu e agora? A minha mãe vai matar-me! Sussurrou o Filipe.
CAPÍTULO 2
GRANDE ASTRONAUTA JOARESA FILEX
Ninguém imagina a carga de dores de cabeça com que acordámos, todos embrulhados uns por cima dos outros. O Filipe tinha os fones enrolados nos caracóis da Joana e a Teresa tinha a última goma, já meia lambida, colada na testa. Eu, que caí por baixo, não sentia as pernas e até já duvidava se ainda lá estavam.
– Estão todos bem? – perguntei a fazer-me de mais calmo do que estava na verdade.
A Teresa disse que sim com a cabeça, mas o ar amarelado com que olhava para mim dizia o contrário.
– Olha que lindo o nosso planeta visto daqui! – disse a Joana, enquanto dava a mão à Teresa e a levava para junto da janela pequenina. A cor começou a voltar-lhe às bochechas.
– É maravilhosa a nossa casa! Daqui até parece que não tem defeitos nenhuns. Mas está a ficar tão longe…
– Não te preocupes, Teresa, – disse eu – vai correr tudo bem. Entre nós os quatro, havemos de nos safar disto.
– Deixa ver se tenho rede…
Era o Filipe, com aquela mania dele de resolver tudo com o telemóvel. Bem o espetava para o ar, mas nada. Nem um pauzinho de rede, nem um sintoma de WiFi.
– Não sejas palerma! – disse a Joana – estamos no espaço, pá! Temos de tentar descobrir para onde vamos, e se conseguimos arranjar maneira de voltar para a Terra.
Estávamos todos bastante assustados, e não era para menos. Do outro lado das janelas tudo parecia calmo, mas o nosso planeta estava cada vez mais pequeno e sabíamos que estávamos a viajar à velocidade de 11 quilómetros por segundo… lembrava-me bem de ter ouvido o holograma falar nisso.
Fomos carregando em botões e puxando alavancas, meio ao acaso, a ver o que acontecia. De repente, um ecrã iluminou-se e, ao mesmo tempo, apareceu no meio de nós a imagem holográfica de um robô ultramoderno, a falar com uma voz metalizada, como numa imitação dos androides do Star Wars.
– Saudações. Eu sou a IA ponto AEP barra XX traço 3.0. Quer dizer, a Inteligência Artificial deste vaivém. Quer dizer, o computador de bordo e o navegador. Com quem tenho o prazer de falar?
O nosso espanto era tão grande que falámos todos ao mesmo tempo.
– Joana.
– Teresa.
– Filipe.
– Alex.
– Muito bem, muito bem, grande astronauta Joaresa Filéx, estou às suas ordens. Para onde devo marcar a rota: de regresso ao planeta Terra, ou em frente rumo ao planeta Oculto?
De um momento para o outro, a ideia de voltarmos para casa perdeu metade do interesse…
– Planeta Oculto? Qual planeta Oculto?
CAPÍTULO 3
O PLANETA OCULTO
Após horas de viagem a uma velocidade absurda, de certeza superior à velocidade da luz, estávamos a chegar perto da nossa estrela, o Sol. Eu estava a ficar preocupado, a IA não tinha voltado a falar connosco desde que concordáramos com esta maluqueira…. Agora parecia que íamos direitinhos para a fornalha espacial que é o Sol. O calor era insuportável e gotas de suor e medo escorriam devagar dos nossos rostos:
– Vai correr tudo bem. – Disse a Joana- Vai correr tudo bem. – Repetiu baixinho, como que para nos convencer. Olhámos uns para os outros e juro que vi os olhos do Filipe a brilhar.
De repente ouvimos:
– Modo de navegação plasmático desativado, grande astronauta Joaresa Filéx. Iniciar plano orbital para contornar a estrela-mãe do sistema solar. – Anunciou a IA na sua voz de robô. Quer dizer, aproximação ao planeta oculto em 600 segundos.
– Uau, foi por um triz! Disse a Teresa.
– Mesmo, por pouco virávamos churrasco solar! – Brincou o Filipe para disfarçar o alívio que todos sentíamos.
Pouco depois, começamos a distinguir o planeta que se escondia atrás do Sol. Estava numa posição diametralmente oposta à Terra e por isso nunca podia ser observado de lá. A Teresa e a Joana colaram-se ao visor da consola e, com olhos esbugalhados, viram surgir um planeta do tamanho da terra de cor muito escura, quase preto, parece que tinha algo a protegê-lo da nossa vista e de eventuais cometas.
O holograma anunciou:
– Aterragem no planeta oculto iminente! Quer dizer, segura-te valente astronauta Joaresa Filéx.
Entramos na atmosfera escura que rapidamente se tornou num laranja luminoso. Fomos descendo velozmente e vimos que o que parecia assustador era na verdade um paraíso!
Havia rios amarelos e brilhantes, grandes montanhas azuis e milhares de pontinhos de luz que acompanhavam a nossa descida.
Quando o vaivém tocou no solo o holograma falou:
– Sucesso, sucesso, grande astronauta Joaresa Filéx.
Quer dizer chegamos. Atmosfera composta por 79% de nitrogénio, 20% de oxigénio e 1 % de dióxido de carbono. Quer dizer, é perfeitamente respirável. Autorização para sair.
A Teresa pegou no telemóvel, virou-se para nós e disse:
– Então vamos?
CAPÍTULO 4
OS MESTRES DA MATÉRIA
Só quando se abriram as comportas do nosso vaivém, e sentimos na cara e nos cabelos o ar fresco que vinha lá de fora, percebemos como estávamos a abafar ali dentro. Saímos todos de uma vez só, encantados com tudo o que, à nossa volta, era tão diferente do que conhecíamos e, ao mesmo tempo, estranhamente acolhedor.
O Filipe, que às vezes se parece com o gato que tem em casa, deitou-se no chão e enterrou o nariz naquela espécie de ervinha azulada que cobria tudo.
– Hummm! Cheira a morangos e às flores das laranjeiras…
A Joana e a Teresa, que não largavam a mão uma da outra, iam dando uns passos em redor. A Teresa mais a medo, a Joana a sacar selfies como se não houvesse amanhã, com o telemóvel que nem era dela.
Eu, confesso, estava bastante perturbado com aquela poeirinha brilhante que voava à nossa volta. Uma coisa impossível de definir. Seria, talvez, só luz, se a luz tivesse substância de se agarrar.
Estendi a mão com muito vagar para esses grãos de luz que tão depressa se mostravam como, a seguir, pareciam confundir-se no ambiente alaranjado do céu.
– Onde raio viemos nós parar? – pensei.
– Ó Filipe, pá, o que é que tu estás a fazer?
A voz da Joana fez-me voltar a cabeça. Filipe corria em direcção às poeiras de luz, com a cabeça atirada para trás, a boca muito aberta e a língua de fora.
– Estava a tentar perceber a que sabem os brilhinhos…
– Não te afastes muito – disse eu. E, antes mesmo de acabar a frase fui eu que fiquei de boca aberta.
Uns passos à minha frente, formou-se um grande remoinho daquelas partículas luminosas que me pareciam cada vez menos poeira, e cada vez mais outra coisa qualquer. As poeiras juntaram-se mais e mais umas às outras e, quando a ponta do remoinho tocou no chão, apareceu na minha frente, como se tudo fosse magia, uma rapariga em tudo parecida connosco. Tal e qual como se fosse uma colega da nossa escola.
Ficámos sem movimento. Só se ouvia a nossa respiração aflita. Depois, aconteceu a coisa mais mágica de todas, que desmanchou toda a aflição e afastou todo o receio.
A rapariga sorriu.
– Olá! – disse-lhe eu, e abanei a mão porque tinha a certeza de que ela não percebia o que lhe dizia.
– Olá! – respondeu ela, como se fossemos velhos amigos. – Vieram passear até ao nosso planeta? Qua boa ideia!
– Como é que tu falas como nós? – perguntou a Teresa. – Tu és uma extraterrestre.
A rapariga voltou a sorrir.
– Bem, talvez. Eu sou extraterrestre porque não sou do vosso planeta Terra, mas para nós, os extraterrestres são vocês!
O Filipe soltou uma gargalhada e, como o riso é contagioso, começámos todos a rir. E rimos e rimos até nos virem as lágrimas aos olhos. Quando já estávamos recompostos, ainda se ouviam umas gargalhadas meio nervosas que não sabíamos de onde vinham. Depois, as gargalhadas passaram a soluços e, por fim, com um som que pareceu um grão de milho a transformar-se numa pipoca, apareceu ao lado da rapariga um pequeno rapaz, muito rechonchudo e corado.
– O meu nome é Arya, e este é o meu irmão Box. Sejam bem-vindos ao planeta Oculto. É um prazer receber-vos cá.
– Os meus amigos tratam-me por Alex, – disse eu enquanto ia em direcção a ela de mão estendida para a cumprimentar. – Estes são o Filipe, a Teresa e a Joana.
– Boorrpuff!
Voltámos a parar os quatro, como que congelados a meio do caminho. O pequeno Box tinha acabado de se desfazer uma imensa poça de água cor de mel e nós nem sabíamos o que pensar, quanto mais o que fazer.
– Não lhe liguem, – disse a Arya descontraidamente. – O meu irmão fica muito ansioso com novidades e perde o controlo da matéria.
– O controlo da matéria? – Eu estava muito confuso.
– Sim, o controlo da matéria. Nós os ocultianos somos descendentes dos antigos mestres da matéria. Trocamos a nossa substância com a da natureza à nossa volta. Podemos tomar a forma que quisermos.
– Estou a ver, estou a ver – disse o Filipe enquanto víamos reaparecer o Box, na forma de uma árvore roliça que parecia crescer a partir da água.
– Isso deve dar imenso jeito! – disse a Joana. – E quando queres viajar, voltas àquela nuvem de luz e voas com o vento?
– É mais ou menos isso, sim. – respondeu Arya, enquanto ajudava o irmão a voltar à forma de rapaz, como se tudo aquilo fosse muito natural. – Vocês na Terra não trocam a substância com a natureza?
– Não trocamos, não. Nem temos ideia de como é que isso se faz. – disse a Teresa, sem esconder a pena que tinha.
– Não acredito que não saibam, – disse ela – de certeza que esse conhecimento está só esquecido.
E ela estava tão segura que nós começámos a acreditar.
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