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Aqui fica o conto - O Valor da Amizade, elaborado pela aluna Liz Pereira, do 6ºE.

O valor da amizade- uma amizade para a vida

            -Estou à tua espera, tudo bem? – perguntou Joshua “Josh” Clarke à mulher.

            -Ok –respondeu Grace.

            Grace estava no hospital de Londres a observar a sua melhor amiga, Rosalie Evans (nascida Jane), mais conhecida como Rose, na sua cama. Rose estava em coma há vinte e seis dias depois da mesma sofrer um acidente de carro. Grace sentia falta da sua melhor amiga brincalhona, de todas as idiotices que esta dizia, de todas as vezes que Rose reclamava com Grace por esta demorar bastante na loja de roupa, de todas as “Miss Clarke” que saiam da boca de Rose durante a adolescência das mesmas, de todas as vezes que Rose para chatear Grace chamava-lhe pelo segundo nome que esta tanto odiava- Freya. Grace sentia falta de tudo em Rosalie. Grace olhava para Rose enquanto lágrimas brilhantes saiam pelos seus grandes olhos (era raro quando Grace chorava pois esta nunca foi uma pessoa sentimental) e vieram-lhe à cabeça lembranças. A lembrança de como se conheceram:

            “Foi no dia 9 de setembro de 1991, um dia frio de outono. Grace e Rosalie iam começar o seu primeiro ano na escola de Londres, Inglaterra. Grace Smith tinha acabado de se despedir dos seus pais e estava a entrar na escola quando foi contra uma pessoa desconhecida.

            Grace Smith era uma bela menina de estatura média e muito, mas mesmo muito, elegante. Tinha o cabelo até a altura dos ombros. Este era ruivo, sedoso e muito encaracolado. Um rosto redondo, pálido, mas com as bochechas coradas. Uma boca pequena e rosada com lábios carnudos. Os olhos grandes e castanhos escuros que pareciam negros. O nariz pequeno e delicado. Grace pode parecer uma menina sentimental, mas é forte, séria e introvertida. Mas também é bondosa (quando quer), educada, inteligente e verdadeira.

            Rosalie Jane também era uma bela menina, mais pequenina que Grace e magra, mas nem tanto. Rosalie tem cabelo negro como a noite, até metade das costas, liso e macio. O seu rosto era oval, amigável, muito

sardento e liso. A sua boca era pequena e nos lábios finos tinha sempre um sorriso que parecia iluminar todos os lugares onde ia. Os olhos eram pequenos, pestanudos e pareciam duas esmeraldas verdes. O seu nariz era arrebitado, fino e pequeno. Rosalie é uma menina divertida, trapalhona e brincalhona. Estava sempre de castigo por causa das suas traquinagens. Mas não é por causa disso que não é uma menina inteligente, pelo contrário ela ama ler histórias de romance e ação. Rosalie era teimosa, muito sincera e indiscreta, mas justa, corajosa e independente.

            -Tu não vês por –Grace é interrompida por Rose.

            -Desculpa, a sério desculpa. Sou tão trapalhona, estou sempre a cair ou a deixar cair algo –Grace olhava entediada para Rose. –Rosalie, Rosalie Jane, mas podes me chamar de Rose –disse enquanto estendia a mão.

            -Grace Smith –disse friamente enquanto apertava a mão.

            -Mais uma vez desculpa –desculpou-se outra vez Rose.

            Nenhuma delas imaginava que a atrapalhada Rose e a fria Grace iriam iniciar uma linda amizade cheia de amor e carinho.”

            Depois recordou-se da reconciliação das mesmas depois de uma das suas discussões:

            “ 5 de outubro de 2001, num parque no centro de Londres.

            -Desculpa, eu… eu não devia ter-te dito aquilo –dizia Rose enquanto lhe saiam muitas lágrimas pelos seus pequenos olhos.

            -Não, tu não tens de te desculpar. Eu que tenho, tu… tu não fizeste nada –disse Grace em voz baixa enquanto pouquinhas lágrimas lhe saiam pelos seus olhos castanhos.

            Rose não se aguentou e abraçou Grace com todas as forças que tinha.

            -Tive saudades –disse Grace enquanto abraçava Rose.

            -Eu também… Freya –disse Rose enquanto se ria.

            -Estávamos a ir tão bem –reclamou Grace enquanto recuava do abraço.”

            Grace nunca pensou que ia ter uma amizade que duraria tanto tempo. Grace descobriu que amizade era ter alguém com quem poderíamos contar os nossos segredos, as nossas felicidades, as nossas tristezas, os nossos traumas, alguém com quem sempre contar, era ter péssimas notícias e ter alguém para nos consolar e vice-versa. Amizades verdadeiras eram difíceis de se encontrar, mas quando Rosalie Ava Jane foi contra Grace Freya Smith ambas iniciaram uma linda amizade que duraria para sempre.

 

 

Liz Pereira, 6º E nº16

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No âmbito da Rede de Bibliotecas de Felgueiras, para dar cumprimento à atividade “Fórum de Escritores”, o 4º ano da professora Clara Dantas, da EB de Margaride, reuniu frequentemente com a escritora Raquel Patriarca, via zoom. Alunos e escritora escreveram uma história coletiva, ilustrada. Mais tarde esta história fará parte de um livro que será publicado.
Aqui fica uma ilustração!

Pode ser um desenho animado de criança e texto que diz "Box F"

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CAPÍTULO 8

O SELO SAGRADO

O caminho em direcção ao lugar sagrado onde se guardava o Selo do povo ocultiano parecia não ter fim. Talvez não fosse assim tão longe, mas para mim, que estava desejosos de lá chegar, parecia a estrada para o fim do mundo. Os ocultianos moviam-se de uma forma estranha. A Arya desaparecia de repente aqui, para aparecer lá adiante, e ficava a apanhar flores enquanto esperava por nós. O Box viajava completamente incógnito, transformado em poeirinhas douradas, e só sabíamos onde ele andava porque estava tão excitado como nós e levou o caminho todo a soltar risadinhas nervosas. O Professor planava. Assim mesmo, não há outra forma de o descrever. Ia alto e direito, de olhos fechados e a cara muito estendida para o céu, os braços cruzados em frente ao peito, as pernas imóveis e os pés paralelos ao chão, mas sem lhe tocar. Planava a uns vinte centímetros da relva a uma velocidade que nos obrigava a acelerar o nosso próprio passo.

O Selo Sagrado começou a ver-se a uma grande distância e era uma visão verdadeiramente impressionante. No centro de uma enorme planície repousava um círculo de pedras gigantescas, alinhados na perfeição e, no centro, guardavam um altar em pedra. Quando nos aproximámos percebemos que toda a superfície das rochas estava gravada com símbolos.

– Olha! – admirou-se a Teresa, – isto são hieróglifos. Lembro-me de os ver no livro de História.

– E aqui parecem caracteres árabes. – disse a Joana de um outro ponto do monumento. – E ali o alfabeto cirílico, e o romano, e estes parecem símbolos chineses….

– Sou capaz de jurar que vi este gatafunho num livro de matemática… – disse o Filipe, – o Pi ou lá o que é!  

– Como é que há aqui gravações de todas as escritas e línguas do mundo? – perguntei ao professor.

– Somos todos uma só família – respondeu ele muito solene, – todas as linguagens são uma só linguagem. Agora, Alex, anda cá.

O meu corpo tremia todo sem eu poder evitar de tão ansioso eu estava. Tinha logo de ser eu o primeiro!

O Professor guiou-me ao altar e pousou as minhas mãos sobre a pedra gravada. Ele fechou os olhos e eu imitei-o. Ele começou a murmurar um cântico e eu imitei-o outra vez. E o meu corpo continuava a tremer e a aquecer um pouco e a formigar por todo o lado. Desta vez, já não eram os nervos, e a matéria a transformar-se em mim.

Senti-me, de repente, inacreditavelmente leve. Abri os olhos e tudo à minha volta era luz. O Filipe, a Teresa e a Joana olhavam para mim de boca aberta e eu percebi que algo maravilhoso tinha acontecido. Olhei para as minhas mãos, mas só havia luzinhas brilhantes. Voltei a fechar os olhos, pensei na tília que a minha avó tem no quintal e quando voltei a olhar para as minhas mãos, eram ramos fortes, cheios de folhas verdes e florinhas brancas.

– Que cheirinho! – disse a Teresa.

– Meu! Estás um espectáculo – disse o Filipe.

– Agora é a minha vez! – disse a Joana.

E, um de cada vez, todos repetiram o mesmo ritual. A Joana transfigurou-se numa água-viva que parecia nadar suspensa sobre o altar, a Teresa foi substituída por uma enorme quantidade de borboletas, com tonalidades que faziam lembrar as cores das gomas, e o Filipe, claro, apareceu de tiranossauros rex.

No fim, abraçámo-nos muito. Pela felicidade que sentíamos, e, também, porque sabíamos que estava a chegar a hora de regressar.

Antes de partirmos o Professor deu uma pequena pedra a cada um de nós. Eram muito circulares e achatadas, lisas como os godos da praia e cabiam-nos na palma da mão. Cada uma tinha gravado um símbolo diferente. Eu tinha uma folha de árvore, a Joana recebeu umas ondas, a Teresa, uma espiral e o Filipe o símbolo de Pi.

– Nestas pedras repousa o espírito do Selo Sagrado. O poder que receberam é grande e precisa de ser respeitado. – disse o Professor. – Sejam cuidadosos.

Mais uns abraços com muitas promessas de visitas, antes de partirmos, finalmente, rumo ao nosso planeta Terra, feitos em partículas de luz, entregues à infinitude do espaço.

Pelo caminho descobrimos que éramos capazes de comunicar entre as nossas consciências, como numa telepatia conjunta. Decidimos que havíamos de partilhar este poder apenas com pessoas que o merecessem.

Amigos da nossa escola? Não, isso seria limitado. Do nosso país? Mas como, se somo todos uma só família. Boas-pessoas? E como é que vamos saber se são boas ou não? As crianças! É isso mesmo. Vamos partilhar este poder com todas as crianças do mundo.

 

EPÍLOGO

Com muita prudência, mas cansadíssimo de esperar, uma sombra colorida em holograma saiu do foguetão e começou a explorar a superfície do planeta Oculto.

– Alô, alô! Grande astronauta Joaresa Filéx! Está aí alguém?

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Dia Mundial da Terra - 22 de abril
Desafios das Bibliotecas Escolares

Atividade realizada para comemoração do Dia Mundial da Terra, turma 112 em articulação com o pré-escolar, grupo 006, na EB de Margaride
Atividade realizada pela professora Cristina Cunha e pela educadora Marília Soares

Nenhuma descrição de foto disponível.
 
 
 

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Dia Mundial do Livro

No âmbito da Rede de Bibliotecas de Felgueiras, para dar cumprimento à atividade “Fórum de Escritores”, o 4º ano da professora Clara Dantas, da EB de Margaride, reúne frequentemente com a escritora Raquel Patriarca, via zoom. Alunos e escritora estão a escrever uma história coletiva, ilustrada. Mais tarde esta história fará parte de um livro que será publicado.

Deixamos aqui uma das ilustrações. Está fantástica!

Pode ser um desenho de árvore e ao ar livre

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CAPÍTULO 7

 A pizza e O Professor

Estávamos mesmo esfomeados! O Box guiou-nos para umas mesas de pedra escura onde estavam pousados uns seixos azuis lisinhos.

-Meu, mas que calhaus tão fixes! Exclamou o Filipe. Pegou num e acrescentou - Mas não me parece muito saboroso! Piscou o olho à Arya, e atirou o seixo para longe…

– Naaãooo! Gritou o Box.- Era o meu almoço!

 O Filipe abriu a boca até ao chão, a Teresa e a Joana apressaram-se a ir buscar a pedra e entregaram-na ao jovem ocultiano. O Box pegou nela, com imenso cuidado, e fechou os olhos, a pedra começou a tremer como se houvesse um mini terramoto lá dentro. Uma luz brilhante cegou-nos e, de repente, no seu lugar estava uma incrível maravilhosa, fantástica PIZZA! Cheia de peperoni, montes de fiambre e queijo a escorrer pelos lados!

– Vamos, comam, enquanto está quente! Disse a Arya - Temos que nos pôr a caminho antes da noite.

Comemos tudo até as últimas migalhinhas, era uma delícia! Bebemos a água límpida de uma fonte e, de barriga cheia, fomos ao encontro do Professor.

Caminhamos durante imenso tempo, as sombras das árvores já estavam esticadas na relva azul. Chegamos perto de um penhasco altíssimo onde estava uma espécie de embondeiro agarrado às rochas com o tronco todo torcido pelo vento. Olhei para a Arya.

- Onde está o professor? Vem ter connosco aqui?

A árvore estremeceu, brilhou e explodiu em milhares de poeirinhas douradas que se juntaram, formaram um redemoinho e, subitamente, ali estava o professor!

 Wow, era velho, tipo mesmo, mesmo, bué velho! Tinha o cabelo branco com umas trancinhas cheias de contas…Era da cor da Nutella que a Teresa adora. O contraste entre o cabelo e a pele era Top! Tinha um olho castanho, outro azul e um enorme sorriso.

-Bem-vindos ao nosso lar, estou muito feliz de vos conhecer. A voz era poderosa, rouca mas amigável.

-O que querem de mim? Acrescentou.

Enquanto eu o Filipe ficávamos paralisados a Joana e a Teresa aproximaram-se dele e deram-lhe dois beijinhos como costumavam fazer com o pessoal lá de casa.

-Professor, professor, queremos aprender aquela coisa das poeirinhas douradas e das pedras que se metamorfoseiam em  pizzas!

-Mesmo, é incrível! Disse o Filipe

-Se não se importar, Professor, com esse conhecimento podíamos voltar à Terra e mudar tudo. Continuei eu.

 

O Professor passou as mãos pelas trancinhas e pôs-se a brincar com uma das contas coloridas. Olhou atentamente para a Arya, olhou para o Box, levantou a cabeça com se estivesse a falar com as poeirinhas brilhantes e falou.

 

-Esse conhecimento está escondido no vosso ADN, só precisam de água pura e do selo sagrado do nosso povo.

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CAPÍTULO 6

UMA SÓ FAMÍLIA

Era mesmo possível! Mais, era mesmo verdade!

Os ocultianos, os Mestres da Matéria, aqueles seres maravilhosos que pareciam acabados de sair das páginas de um livro de aventuras eram, afinal, naturais do planeta Terra.

– Mas então… – o Filipe tentava dar palavras à confusão instalada nas nossas cabeças. – Então vocês vieram do mesmo planeta que nós?

– Os nossos antepassados vieram do vosso planeta, sim. – Começou a Arya a contar, enquanto fazia um gesto e nos convida para sentar numa espécie de roda.

– Há muitas, muitas voltas ao Sol, os antigos Mestres deixaram de atender ao carinho que deviam guardar à Natureza. A capacidade de fusão com a matéria é um poder que pode alcançar feitos maravilhosos. A montanha onde se ergue este templo, por exemplo, foi trazida à superfície a partir do fogo incandescente das entranhas do planeta. E o templo em si, foi construído, pedra por pedra, com partículas de todas as substâncias encontradas em todas as partes deste mundo. Foi um esforço de todos, conseguido apenas pela harmonia que reinava entre os elementos da nossa primeira comunidade. Mas em tudo, como na própria Natureza, vive uma fracção de luz e outra de sombra e, assim, a capacidade de fusão com a matéria é um poder que, usado, sem cuidado pela Natureza, pode provocar efeitos assustadores e terríveis. Foi o que aconteceu. À beira de um cataclismo que acreditaram ser global, os Antigos deixaram a Terra e vieram refugiar-se no mundo que ficava Oculto por trás da luz do Sol.

A Arya suspirou e sou capaz de jurar que, no preciso momento em que expirou o ar dos pulmões, o seu corpo brilhou e perdeu um pouco as formas, como se fosse esfumar-se e desaparecer, mas, logo a seguir, ali estava ela, a mesma Arya de um momento antes.

Parecia que o silêncio se tinha vindo sentar connosco. Olhávamos para as gravuras na parede e eu não conseguia deixar de pensar na relação entre a luz e a sombra, o nosso Planeta Terra e aquele outro, o Oculto, que girava no espaço à sombra da luz do Sol.

– Nunca pensaram em voltar? – A Joana era sempre assim. Nas nossas conversas e mesmo nas aulas, fazia sempre as melhores perguntas. Mal acabávamos de as ouvir, descobríamos que também nós estávamos mortos por saber as respostas.

– Sim, a certa altura três estudiosos foram enviados à Terra para registar os estragos do cataclismo. Soubemos, então, que a catástrofe não tinha destruído todo o planeta, apenas o Continente da Atlântida. Tinham até sobrevivido as ilhas da Macaronésia. Talvez vocês as conheçam.

Trocámos olhares entre nós e sorrimos.

– Conhecemo-las muito bem!

– Mas nessa altura já não era possível regressarmos. – O Box falava com tristeza e eu temi que se transformasse outra vez em poça de água.

– Quando os Antigos fizeram a primeira viagem, – explicou a Arya – passaram muito perto do Sol, e a capacidade de partilhar a substância com a Natureza aumentou. Já não éramos humanos como antes, não saberíamos integrar-nos, seríamos recebidos como estranhos.

– Mas vocês não são estranhos, – disse a Teresa que tentava oferecer consolo ao Box. – Somos todos da mesma família.

– Isso é verdade, – continuou a Arya – mas é uma verdade maior do que parece, e é aí que bate o coração de tudo…. Somos todos uma só família. Vocês, nós, a luz, a sombra, todas as partículas da matéria, toda a Natureza. E, como em qualquer família, a ternura deve ser o laço que nos liga.

– Nós também passámos perto do sol, – disse a Teresa – achas que aumentou em nós o poder de controlar a matéria.

– É possível.

– Bem! Imagina! – os olhos do Filipe não podiam abrir-se mais enquanto ele falava. – Se pudéssemos aprender, ou lembrar, a ser Mestres da Matéria! Já não precisávamos de carros, nem de comboios nem de aviões para viajar e acabava-se tanta a poluição!

– E éramos capazes de produzir bons alimentos que pudessem acabar com a fome no mundo, – disse a Joana. – Só não sei se haveria gomas… desculpa lá, Teresa.

– Por falar nisso, – o Box pôs-se de pé tão depressa que parecia que ia levantar voo. – Estou cheio de fome! Primeiro vamos comer e, depois, se vocês quiserem, podemos levar-vos ao Professor.

 

 

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Leiam o capítulo 5:

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 Capítulo 5

Eu fiquei entusiasmado com a ideia. Seria fabuloso se conseguíssemos dominar a matéria como os mestres antigos, poder assumir a forma de uma árvore, ser capaz de viajar pelo ar, enfim, fazer realmente parte da Natureza.

 A Arya sorriu-nos e explicou-nos:

-Venham connosco. Quero mostrar-vos um lugar muito especial para todos os  ocultianos, acho que lá vão ser poder perceber tudo.

 Ela deu-me a mão, tão quente, e caminhamos pela relva azulzinha, num prado deslumbrante e sob o céu alaranjado. As poeirinhas douradas continuavam à nossa volta e aos nossos pés vimos uma espécie de flores transparentes que cheiravam a gomas e chocolate! Claro que a Teresa se atirou ao chão e enfiou o nariz nas bonitas pétalas. Por pouco não as comeu! Mas as flores esquivavam-se graciosamente da sua boca, ora para a direita, ora para a esquerda, ora para trás, ora para a frente! O Filipe, o Box e a Joana quase rebolavam de tanto rir.

-Acho que desta vez encontraste uma goma mais esperta do que tu!

As gargalhadas da Arya juntaram às nossas. Caminhamos mais um pouco e vimos que à nossa frente, se estendia um edifício imponente, era um templo antigo e belo que parecia ter saído das rochas de um vulcão. O Box entrou primeiro e levou-nos até à parede mais afastada onde podíamos ver umas estranhas gravuras luminosas. A Arya guiou-nos e pediu-nos numa voz solene:

  • Tenham cuidado e sejam respeitadores, este é o nosso local mais sagrado. Aqui está guardada a história dos Mestres, o nosso verdadeiro tesouro.

Apontou para as paredes tremeluzentes e, ao aproximarmo-nos mais, vimos que toda a parede estava esculpida com símbolos e imagens estranhamente claras.

 Lá no cimo, conseguimos decifrar o sistema solar onde se destacava o terceiro planeta a contar do Sol, a nossa Terra. A gravura seguinte mostrava um continente bem no meio do oceano Atlântico, que estranho, devia ser um erro. Olhei para os outros que estavam completamente espantados e continuei …. Mais em baixo, havia uma espécie de cataclismo que engolia o continente e um monte de pessoas pequeninas que fugiam para uma de nove montanhas altíssimas. No meio da parede, a Joana tocava numa imagem que mostrava pessoas que se desfaziam em pontinhos e viajavam em direção ao Sol. Na última imagem, a maior e mais nítida de todas estava um maravilhoso planeta com um céu alaranjado e montanhas azuis...

-Arya, Box o que é isto? Não pode ser, pois não? Os Mestres da Matéria? Não, não vieram da Terra, é impossível... Sentei-me no chão e olhei para a parede completamente abismado.

 

 

  

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Já chegou o 4º capítulo!

 Pode ser uma ilustração de criança

CAPÍTULO 1

O AEP BARRA XX TRAÇO 3.0

 

Até que enfim! Chegamos à Agência Espacial Portuguesa. A Teresa passou a viagem a comer gomas e agora está super enjoada. O Filipe não se calou um minuto e a Joana tirou uma tonelada de selfies! Eu? Eu, adorei a viagem, mas 6 horas é muito tempo.

Lá fora, o vaivém brilha ao sol é da última geração! Todo automático e todo incrível. A Joana gritou-me:

– Alex mexe-te! Toda a turma já entrou só faltamos nós os quatro.

Fomos a correr e entramos no vaivém. Era mesmo fixe. Cheio de tecnologia de ponta e com um holograma em tamanho real que explicava como tudo funcionava.

– Já viste? Só preciso de carregar naquele botão para descolar. Que top! – Exclamou o Filipe.

– Ganha juízo, meu. – Respondi eu.

O holograma continuava a falar:

«OAEP barra XX traço 3.0 é o vaivém mais desenvolvido de sempre, completamente automatizado e preparado para longas viagens espaciais…».

A turma já estava fora do vaivém a caminho do Centro Espacial do Alentejo.

– Bora pessoal, vamos lá – disse a Teresa, enquanto enfiava mais uns doces na boca.

Subitamente, o Filipe esticou-se para apanhar a última goma da Teresa, atirou-se à bruta e caíram os dois no painel de controlo. Ouvimos um estrondo assustador e o holograma desatou aos gritos:

Alerta! Alerta! Alerta!

Descolagem em 5…4…3…2…1…

Descolagem!

Fomos atirados para trás com a força G e antes de desmaiar vi a malta a cair. Quando acordamos já estávamos no espaço.

– Meu e agora? A minha mãe vai matar-me! Sussurrou o Filipe.

 

 

CAPÍTULO 2

GRANDE ASTRONAUTA JOARESA FILEX

 

Ninguém imagina a carga de dores de cabeça com que acordámos, todos embrulhados uns por cima dos outros. O Filipe tinha os fones enrolados nos caracóis da Joana e a Teresa tinha a última goma, já meia lambida, colada na testa. Eu, que caí por baixo, não sentia as pernas e até já duvidava se ainda lá estavam.

– Estão todos bem? – perguntei a fazer-me de mais calmo do que estava na verdade.

A Teresa disse que sim com a cabeça, mas o ar amarelado com que olhava para mim dizia o contrário.

– Olha que lindo o nosso planeta visto daqui! – disse a Joana, enquanto dava a mão à Teresa e a levava para junto da janela pequenina. A cor começou a voltar-lhe às bochechas.

– É maravilhosa a nossa casa! Daqui até parece que não tem defeitos nenhuns. Mas está a ficar tão longe…

– Não te preocupes, Teresa, – disse eu – vai correr tudo bem. Entre nós os quatro, havemos de nos safar disto.

– Deixa ver se tenho rede…

Era o Filipe, com aquela mania dele de resolver tudo com o telemóvel. Bem o espetava para o ar, mas nada. Nem um pauzinho de rede, nem um sintoma de WiFi.

– Não sejas palerma! – disse a Joana – estamos no espaço, pá! Temos de tentar descobrir para onde vamos, e se conseguimos arranjar maneira de voltar para a Terra.

Estávamos todos bastante assustados, e não era para menos. Do outro lado das janelas tudo parecia calmo, mas o nosso planeta estava cada vez mais pequeno e sabíamos que estávamos a viajar à velocidade de 11 quilómetros por segundo… lembrava-me bem de ter ouvido o holograma falar nisso.

Fomos carregando em botões e puxando alavancas, meio ao acaso, a ver o que acontecia. De repente, um ecrã iluminou-se e, ao mesmo tempo, apareceu no meio de nós a imagem holográfica de um robô ultramoderno, a falar com uma voz metalizada, como numa imitação dos androides do Star Wars.

– Saudações. Eu sou a IA ponto AEP barra XX traço 3.0. Quer dizer, a Inteligência Artificial deste vaivém. Quer dizer, o computador de bordo e o navegador. Com quem tenho o prazer de falar?

O nosso espanto era tão grande que falámos todos ao mesmo tempo.

– Joana.

– Teresa.

– Filipe.

– Alex.

– Muito bem, muito bem, grande astronauta Joaresa Filéx, estou às suas ordens. Para onde devo marcar a rota: de regresso ao planeta Terra, ou em frente rumo ao planeta Oculto?

De um momento para o outro, a ideia de voltarmos para casa perdeu metade do interesse…

– Planeta Oculto? Qual planeta Oculto?

 

CAPÍTULO 3

O PLANETA OCULTO

 

Após horas de viagem a uma velocidade absurda, de certeza superior à velocidade da luz, estávamos a chegar perto da nossa estrela, o Sol. Eu estava a ficar preocupado, a IA não tinha voltado a falar connosco desde que concordáramos com esta maluqueira…. Agora parecia que íamos direitinhos para a fornalha espacial que é o Sol. O calor era insuportável e gotas de suor e medo escorriam devagar dos nossos rostos:

– Vai correr tudo bem. – Disse a Joana- Vai correr tudo bem. – Repetiu baixinho, como que para nos convencer. Olhámos uns para os outros e juro que vi os olhos do Filipe a brilhar.

De repente ouvimos:

Modo de navegação plasmático desativado, grande astronauta Joaresa Filéx. Iniciar plano orbital para contornar a estrela-mãe do sistema solar. Anunciou a IA na sua voz de robô. Quer dizer, aproximação ao planeta oculto em 600 segundos.

 

– Uau, foi por um triz! Disse a Teresa.

– Mesmo, por pouco virávamos churrasco solar! – Brincou o Filipe para disfarçar o alívio que todos sentíamos.

Pouco depois, começamos a distinguir o planeta que se escondia atrás do Sol. Estava numa posição diametralmente oposta à Terra e por isso nunca podia ser observado de lá. A Teresa e a Joana colaram-se ao visor da consola e, com olhos esbugalhados, viram surgir um planeta do tamanho da terra de cor muito escura, quase preto, parece que tinha algo a protegê-lo da nossa vista e de eventuais cometas.

O holograma anunciou:

Aterragem no planeta oculto iminente! Quer dizer, segura-te valente astronauta Joaresa Filéx.

Entramos na atmosfera escura que rapidamente se tornou num laranja luminoso. Fomos descendo velozmente e vimos que o que parecia assustador era na verdade um paraíso!

Havia rios amarelos e brilhantes, grandes montanhas azuis e milhares de pontinhos de luz que acompanhavam a nossa descida.

Quando o vaivém tocou no solo o holograma falou:

Sucesso, sucesso, grande astronauta Joaresa Filéx.

Quer dizer chegamos. Atmosfera composta por 79% de nitrogénio, 20% de oxigénio e 1 % de dióxido de carbono. Quer dizer, é perfeitamente respirável. Autorização para sair.

A Teresa pegou no telemóvel, virou-se para nós e disse:

– Então vamos?

 

CAPÍTULO 4

OS MESTRES DA MATÉRIA

 

Só quando se abriram as comportas do nosso vaivém, e sentimos na cara e nos cabelos o ar fresco que vinha lá de fora, percebemos como estávamos a abafar ali dentro. Saímos todos de uma vez só, encantados com tudo o que, à nossa volta, era tão diferente do que conhecíamos e, ao mesmo tempo, estranhamente acolhedor.

O Filipe, que às vezes se parece com o gato que tem em casa, deitou-se no chão e enterrou o nariz naquela espécie de ervinha azulada que cobria tudo.

– Hummm! Cheira a morangos e às flores das laranjeiras…

A Joana e a Teresa, que não largavam a mão uma da outra, iam dando uns passos em redor. A Teresa mais a medo, a Joana a sacar selfies como se não houvesse amanhã, com o telemóvel que nem era dela.

Eu, confesso, estava bastante perturbado com aquela poeirinha brilhante que voava à nossa volta. Uma coisa impossível de definir. Seria, talvez, só luz, se a luz tivesse substância de se agarrar.

Estendi a mão com muito vagar para esses grãos de luz que tão depressa se mostravam como, a seguir, pareciam confundir-se no ambiente alaranjado do céu.

– Onde raio viemos nós parar? – pensei.

– Ó Filipe, pá, o que é que tu estás a fazer?

A voz da Joana fez-me voltar a cabeça.  Filipe corria em direcção às poeiras de luz, com a cabeça atirada para trás, a boca muito aberta e a língua de fora.

– Estava a tentar perceber a que sabem os brilhinhos…

– Não te afastes muito – disse eu. E, antes mesmo de acabar a frase fui eu que fiquei de boca aberta.

Uns passos à minha frente, formou-se um grande remoinho daquelas partículas luminosas que me pareciam cada vez menos poeira, e cada vez mais outra coisa qualquer. As poeiras juntaram-se mais e mais umas às outras e, quando a ponta do remoinho tocou no chão, apareceu na minha frente, como se tudo fosse magia, uma rapariga em tudo parecida connosco. Tal e qual como se fosse uma colega da nossa escola.

Ficámos sem movimento. Só se ouvia a nossa respiração aflita. Depois, aconteceu a coisa mais mágica de todas, que desmanchou toda a aflição e afastou todo o receio.

A rapariga sorriu.

– Olá! – disse-lhe eu, e abanei a mão porque tinha a certeza de que ela não percebia o que lhe dizia.

– Olá! – respondeu ela, como se fossemos velhos amigos. – Vieram passear até ao nosso planeta? Qua boa ideia!

– Como é que tu falas como nós? – perguntou a Teresa. ­– Tu és uma extraterrestre.

A rapariga voltou a sorrir.

– Bem, talvez. Eu sou extraterrestre porque não sou do vosso planeta Terra, mas para nós, os extraterrestres são vocês!

O Filipe soltou uma gargalhada e, como o riso é contagioso, começámos todos a rir. E rimos e rimos até nos virem as lágrimas aos olhos. Quando já estávamos recompostos, ainda se ouviam umas gargalhadas meio nervosas que não sabíamos de onde vinham. Depois, as gargalhadas passaram a soluços e, por fim, com um som que pareceu um grão de milho a transformar-se numa pipoca, apareceu ao lado da rapariga um pequeno rapaz, muito rechonchudo e corado.

– O meu nome é Arya, e este é o meu irmão Box. Sejam bem-vindos ao planeta Oculto. É um prazer receber-vos cá.

– Os meus amigos tratam-me por Alex, – disse eu enquanto ia em direcção a ela de mão estendida para a cumprimentar. – Estes são o Filipe, a Teresa e a Joana.

– Boorrpuff!

Voltámos a parar os quatro, como que congelados a meio do caminho. O pequeno Box tinha acabado de se desfazer uma imensa poça de água cor de mel e nós nem sabíamos o que pensar, quanto mais o que fazer.

– Não lhe liguem, – disse a Arya descontraidamente. – O meu irmão fica muito ansioso com novidades e perde o controlo da matéria.

– O controlo da matéria? – Eu estava muito confuso.

– Sim, o controlo da matéria. Nós os ocultianos somos descendentes dos antigos mestres da matéria. Trocamos a nossa substância com a da natureza à nossa volta. Podemos tomar a forma que quisermos.

– Estou a ver, estou a ver – disse o Filipe enquanto víamos reaparecer o Box, na forma de uma árvore roliça que parecia crescer a partir da água.

– Isso deve dar imenso jeito! – disse a Joana. – E quando queres viajar, voltas àquela nuvem de luz e voas com o vento?

– É mais ou menos isso, sim. – respondeu Arya, enquanto ajudava o irmão a voltar à forma de rapaz, como se tudo aquilo fosse muito natural. – Vocês na Terra não trocam a substância com a natureza?

– Não trocamos, não. Nem temos ideia de como é que isso se faz. – disse a Teresa, sem esconder a pena que tinha.

– Não acredito que não saibam, – disse ela – de certeza que esse conhecimento está só esquecido.

E ela estava tão segura que nós começámos a acreditar.

 

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No âmbito da Rede de Bibliotecas de Felgueiras, para dar cumprimento à atividade “Fórum de Escritores”, nos dias 18, 25 de março e 1 de abril, já com o ensino presencial, a professora bibliotecária Isabel Melo e o 4º ano da professora Clara Dantas, da EB de Margaride, reuniram com a escritora Raquel Patriarca, via plataforma Zoom.

Alunos e escritora estão a escrever uma história coletiva, ilustrada, que mais tarde será publicada.

Aqui fica a ilustração dos heróis da história.

1.jpg

 

 CAPÍTULO 1

O AEP BARRA XX TRAÇO 3.0

 

Até que enfim! Chegamos à Agência Espacial Portuguesa. A Teresa passou a viagem a comer gomas e agora está super enjoada. O Filipe não se calou um minuto e a Joana tirou uma tonelada de selfies! Eu? Eu, adorei a viagem, mas 6 horas é muito tempo.

Lá fora, o vaivém brilha ao sol é da última geração! Todo automático e todo incrível. A Joana gritou-me:

– Alex mexe-te! Toda a turma já entrou só faltamos nós os quatro.

Fomos a correr e entramos no vaivém. Era mesmo fixe. Cheio de tecnologia de ponta e com um holograma em tamanho real que explicava como tudo funcionava.

– Já viste? Só preciso de carregar naquele botão para descolar. Que top! – Exclamou o Filipe.

– Ganha juízo, meu. – Respondi eu.

O holograma continuava a falar:

«O AEP barra XX traço 3.0 é o vaivém mais desenvolvido de sempre, completamente automatizado e preparado para longas viagens espaciais…».

A turma já estava fora do vaivém a caminho do Centro Espacial do Alentejo.

– Bora pessoal, vamos lá – disse a Teresa, enquanto enfiava mais uns doces na boca.

Subitamente, o Filipe esticou-se para apanhar a última goma da Teresa, atirou-se à bruta e caíram os dois no painel de controlo. Ouvimos um estrondo assustador e o holograma desatou aos gritos:

Alerta! Alerta! Alerta!

Descolagem em 5… 4… 3… 2… 1…

Descolagem!

Fomos atirados para trás com a força G e antes de desmaiar vi a malta a cair. Quando acordamos já estávamos no espaço.

– Meu e agora? A minha mãe vai matar-me! Sussurrou o Filipe.

 

 

CAPÍTULO 2

GRANDE ASTRONAUTA JOARESA FILEX

 

Ninguém imagina a carga de dores de cabeça com que acordámos, todos embrulhados uns por cima dos outros. O Filipe tinha os fones enrolados nos caracóis da Joana e a Teresa tinha a última goma, já meia lambida, colada na testa. Eu, que caí por baixo, não sentia as pernas e até já duvidava se ainda lá estavam.

– Estão todos bem? – perguntei a fazer-me de mais calmo do que estava na verdade.

A Teresa disse que sim com a cabeça, mas o ar amarelado com que olhava para mim dizia o contrário.

– Olha que lindo o nosso planeta visto daqui! – disse a Joana, enquanto dava a mão à Teresa e a levava para junto da janela pequenina. A cor começou a voltar-lhe às bochechas.

– É maravilhosa a nossa casa! Daqui até parece que não tem defeitos nenhuns. Mas está a ficar tão longe…

– Não te preocupes, Teresa, – disse eu – vai correr tudo bem. Entre nós os quatro, havemos de nos safar disto.

– Deixa ver se tenho rede…

Era o Filipe, com aquela mania dele de resolver tudo com o telemóvel. Bem o espetava para o ar, mas nada. Nem um pauzinho de rede, nem um sintoma de WiFi.

– Não sejas palerma! – disse a Joana – estamos no espaço, pá! Temos de tentar descobrir para onde vamos, e se conseguimos arranjar maneira de voltar para a Terra.

Estávamos todos bastante assustados, e não era para menos. Do outro lado das janelas tudo parecia calmo, mas o nosso planeta estava cada vez mais pequeno e sabíamos que estávamos a viajar à velocidade de 11 quilómetros por segundo… lembrava-me bem de ter ouvido o holograma falar nisso.

Fomos carregando em botões e puxando alavancas, meio ao acaso, a ver o que acontecia. De repente, um ecrã iluminou-se e, ao mesmo tempo, apareceu no meio de nós a imagem holográfica de um robô ultramoderno, a falar com uma voz metalizada, como numa imitação dos androides do Star Wars.

– Saudações. Eu sou a IA ponto AEP barra XX traço 3.0. Quer dizer, a Inteligência Artificial deste vaivém. Quer dizer, o computador de bordo e o navegador. Com quem tenho o prazer de falar?

O nosso espanto era tão grande que falámos todos ao mesmo tempo.

– Joana.

– Teresa.

– Filipe.

– Alex.

– Muito bem, muito bem, grande astronauta Joaresa Filéx, estou às suas ordens. Para onde devo marcar a rota: de regresso ao planeta Terra, ou em frente rumo ao planeta Oculto?

De um momento para o outro, a ideia de voltarmos para casa perdeu metade do interesse…

– Planeta Oculto? Qual planeta Oculto?

 

CAPÍTULO 3

O PLANETA OCULTO

 

Após horas de viagem a uma velocidade absurda, de certeza superior à velocidade da luz, estávamos a chegar perto da nossa estrela, o Sol. Eu estava a ficar preocupado, a IA não tinha voltado a falar connosco desde que concordáramos com esta maluqueira…. Agora parecia que íamos direitinhos para a fornalha espacial que é o Sol. O calor era insuportável e gotas de suor e medo escorriam devagar dos nossos rostos:

-Vai correr tudo bem. - Disse a Joana- Vai correr tudo bem. -Repetiu baixinho, como que para nos convencer. Olhámos uns para os outros e juro que vi os olhos do Filipe a brilhar.

De repente ouvimos:

-Modo de navegação plasmático desativado, grande astronauta Joaresa Filéx. Iniciar plano orbital para contornar a estrela-mãe do sistema solar. -Anunciou a IA na sua voz de robô. Quer dizer, aproximação ao planeta oculto em 600 segundos.

 

-Uau, foi por um triz! Disse a Teresa.

-Mesmo, por pouco virávamos churrasco solar! – Brincou o Filipe para disfarçar o alívio que todos sentíamos.

Pouco depois, começamos a distinguir o planeta que se escondia atrás do Sol. Estava numa posição diametralmente oposta à Terra e por isso nunca podia ser observado de lá. A Teresa e a Joana colaram-se ao visor da consola e, com olhos esbugalhados, viram surgir um planeta do tamanho da terra de cor muito escura, quase preto, parece que tinha algo a protegê-lo da nossa vista e de eventuais cometas.

O holograma anunciou:

-Aterragem no planeta oculto iminente! Quer dizer, segura-te valente astronauta Joaresa Filéx.

Entramos na atmosfera escura que rapidamente se tornou num laranja luminoso. Fomos descendo velozmente e vimos que o que parecia assustador era na verdade um paraíso!

Havia rios amarelos e brilhantes, grandes montanhas azuis e milhares de pontinhos de luz que acompanhavam a nossa descida.

Quando o vaivém tocou no solo o holograma falou:

-Sucesso, sucesso, grande astronauta Joaresa Filéx.

Quer dizer chegamos. Atmosfera composta por 79% de nitrogénio, 20% de oxigénio e 1 % de dióxido de carbono. Quer dizer, é perfeitamente respirável. Autorização para sair.

A Teresa pegou no telemóvel, virou-se para nós e disse:

-Então vamos?

CAPÍTULO 4

 

 

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